Inesquecível, este é o termo!
Sempre que me aproximo um pouco mais de qualquer tipo de coisa que não esteja diretamente ligada ao meu meio de vida trago na bagagem muito mais respeito e menos pré-conceitos, mas acho que não sou exceção isso deve acontecer com a maioria das pessoas... e isso foi intenso na tribo Caiuá - MS.
Claro que eu não esperava encontrar índios nús, morando em ocas, dormindo em redes e caçando com arpões. Na verdade esperava é que pela proximidade da cidade o nível de civilização e abandono a própria cultura fosse bem maior... e não é.
Eles mantém na medida do possível, sua cultura, a língua, as crenças... mas também pude ver a miséria a que ficam a margem.
Fui a uma tribo que fica mais próxima a fronteira com o Paraguai, lá não vi ocas, mas casas de tapera cobertas com sapê, chão de terra batida, sem divisão de cômodos, sem água encanada e banheiro (vi depois o que me pareceu um canto de fossa pra substituir o banheiro) as casas que estavam um pouco mais longe pareciam ter um pouco mais de infra-estrutura.
Crianças desnutridas (aprendi que crianças moreninhas com as pontas dos cabelos loirinhos e quebradiços é sinal de disnutrição) comem o que têm, geralmente muita mandioca.
A comida regional é forte em arroz, carne (churrasco, pela proximidade ao RS) e mandioca, não comi isso porque estavamos sendo hospedados por mineiros e nos deliciamos com o tempeiro e a culinária deliciosa da Dona Margarida.
Voltando a tribo, uma coisa que notei e que me incomodou foi a "submissão" (não sei se esse é bem o termo) que eles têm quanto a nós brancos... como se fossemos superiores e eles estivessem ali para nos servir... senhores de engenho perante seus escravos, caramba como fomos (os brancos/colonizadores) um bando de soberbas mesquinhos, tratar outros seres humanos como inferiores, e o pior que isso ainda existe. Gente assim, até nós mesmos, ainda que de formas diferentes, mascaras que mudam e passam de geração a geração.
O lado bom, é muito bom... conheci um cacique, hoje eles já não são mais tão respeitados como antigamente dentro da tribo, não são preparados mais desde pequenos, são "escolhidos" perto da fase adulta. Mas mantém tradições e nos explicam...
Acreditam que um pedaço de madeira em formato de cruz carrega a alma dos que falecerem (um pra cada um) e rezam (a reza do índio é 99% música) para eles é um objeto sagrado. Também tem a questão de acreditar que cada animal tem um dono (espiritual) e quando uma cobra ataca as galinhas, por exemplo, eles rezam para que o dono da cobra vá embora, assim a cobra vai também (não matam). Ouvi também que algumas famílias mantém junto a si um cachorro, que não tratam, pois ele serve para receber todas as maldições que forem lançadas à família (se minha mãe estivesse lá sairia recolhendo os cães "amaldiçoados" pra cuidar).
E tem também a missão, que está lá há 80 anos, anterior a fundação da cidade... e levou aos índios educação (inclusive da própria língua, antes deles não existia caiuá escrito), saúde (há um hospital grande de atendimento exclusivo aos índios), e o cristianismo (isso interfere diretamente na crença, mas também positivamente, exemplo... antigamente em caso de gêmeos, um era sacrificado, hoje as coisas já não são mais assim). Também buscam o cuidado com a cultura, a importância de se manter a língua ainda viva. Hoje tem índios formados, índios que passaram pela escola da missão e continuaram em frente...
E a história de fé, eu fui criada dentro de um lar evangélico e já não frequento mais há um bom tempo, tinha "esquecido" de muita coisa bacana, incluisive o poder da fé (independente de religião) realmente move montanhas!
Sempre que me aproximo um pouco mais de qualquer tipo de coisa que não esteja diretamente ligada ao meu meio de vida trago na bagagem muito mais respeito e menos pré-conceitos, mas acho que não sou exceção isso deve acontecer com a maioria das pessoas... e isso foi intenso na tribo Caiuá - MS.
Claro que eu não esperava encontrar índios nús, morando em ocas, dormindo em redes e caçando com arpões. Na verdade esperava é que pela proximidade da cidade o nível de civilização e abandono a própria cultura fosse bem maior... e não é.
Fui a uma tribo que fica mais próxima a fronteira com o Paraguai, lá não vi ocas, mas casas de tapera cobertas com sapê, chão de terra batida, sem divisão de cômodos, sem água encanada e banheiro (vi depois o que me pareceu um canto de fossa pra substituir o banheiro) as casas que estavam um pouco mais longe pareciam ter um pouco mais de infra-estrutura.
Crianças desnutridas (aprendi que crianças moreninhas com as pontas dos cabelos loirinhos e quebradiços é sinal de disnutrição) comem o que têm, geralmente muita mandioca.
A comida regional é forte em arroz, carne (churrasco, pela proximidade ao RS) e mandioca, não comi isso porque estavamos sendo hospedados por mineiros e nos deliciamos com o tempeiro e a culinária deliciosa da Dona Margarida.
Voltando a tribo, uma coisa que notei e que me incomodou foi a "submissão" (não sei se esse é bem o termo) que eles têm quanto a nós brancos... como se fossemos superiores e eles estivessem ali para nos servir... senhores de engenho perante seus escravos, caramba como fomos (os brancos/colonizadores) um bando de soberbas mesquinhos, tratar outros seres humanos como inferiores, e o pior que isso ainda existe. Gente assim, até nós mesmos, ainda que de formas diferentes, mascaras que mudam e passam de geração a geração.O lado bom, é muito bom... conheci um cacique, hoje eles já não são mais tão respeitados como antigamente dentro da tribo, não são preparados mais desde pequenos, são "escolhidos" perto da fase adulta. Mas mantém tradições e nos explicam...
Acreditam que um pedaço de madeira em formato de cruz carrega a alma dos que falecerem (um pra cada um) e rezam (a reza do índio é 99% música) para eles é um objeto sagrado. Também tem a questão de acreditar que cada animal tem um dono (espiritual) e quando uma cobra ataca as galinhas, por exemplo, eles rezam para que o dono da cobra vá embora, assim a cobra vai também (não matam). Ouvi também que algumas famílias mantém junto a si um cachorro, que não tratam, pois ele serve para receber todas as maldições que forem lançadas à família (se minha mãe estivesse lá sairia recolhendo os cães "amaldiçoados" pra cuidar).E tem também a missão, que está lá há 80 anos, anterior a fundação da cidade... e levou aos índios educação (inclusive da própria língua, antes deles não existia caiuá escrito), saúde (há um hospital grande de atendimento exclusivo aos índios), e o cristianismo (isso interfere diretamente na crença, mas também positivamente, exemplo... antigamente em caso de gêmeos, um era sacrificado, hoje as coisas já não são mais assim). Também buscam o cuidado com a cultura, a importância de se manter a língua ainda viva. Hoje tem índios formados, índios que passaram pela escola da missão e continuaram em frente...
E a história de fé, eu fui criada dentro de um lar evangélico e já não frequento mais há um bom tempo, tinha "esquecido" de muita coisa bacana, incluisive o poder da fé (independente de religião) realmente move montanhas!
Hoje fico por aqui, mas volto para falar do Gabriel, um indiozinho cantor... e digo q isso foi um resumo bem por cima perto de tudo o que é aquela realidade, porque "todo dia era dia de índio"...
Volto logo!
* "oi, td bem?" em caiuá
Volto logo!
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2 comentários:
Volto ao seu blog quando parar de sentir inveja :P
Legal a experiência, Aty. Eu também conheço um índio cantor. Ele canta versões do Elvis e Sinatra em Tupi e toca um violão com 5 cordas.(pra que duas cordas mi?)
Até mais!
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