sexta-feira, julho 18, 2008

Entrevista

Recentemente passei por uma entrevista de trabalho, não é a primeira da minha vida, mas foi a primeira assim.
Já tinha ouvido falar em entrevistas, com dinâmica em grupo, teste psicológico e tal, mas em dias de QI – quem indica, achei que isso fazia parte dos primórdios, já estava ultrapassado, tipo curso de datilografia, existe... mas ninguém faz.
O cargo é para algo que na verdade estará apenas na carteira de trabalho, pois a função exercida será outra e ambos eu tenho uma vaga idéia do que deve ser feito, mas que o meu diploma atesta que posso exercer, pois aquilo teoricamente me foi ensinado na faculdade. Teoricamente mesmo, pois não lembro de ter aprendido...
Será que essa foi uma das várias aulas que perdi quando estava aprendendo a fazer trabalhando, na raça, o que deveria estar aprendendo em sala? Ou será que justo neste dia eu estava no bar? Também passei algumas aulas lá...
Mas tudo bem, aprendo rápido, já vi outras pessoas fazendo... nada que 15 minutos ou 15 dias não resolvam!
Enfim, estava eu lá, concorrendo a vaga com alguém que mora na mesma cidade da empresa, estava realmente desempregado, podendo começar imediatamente, não faz objeção ao baixo salário e tem 15 anos de experiência no cargo, naquele da função que constará na carteira, não que vai fazer de verdade.
Quando soube de tudo isso pensei em dar meia volta, e voltar para o meu emprego estável, com carteira assinada, benefícios, o dobro do salário oferecido, calmo e com pouca mão de obra a executar, afinal de contas o que eu estava fazendo ali?
Mas não, uma força estranha me fez ficar e enfrentar o teste, o que tenho tanto a perder?
Como assim? Pelo menos 50% do meu salário, e que já anda bem comprometido, que coisa... onde é que eu tô com a cabeça?
E a força estranha me disse em uma fração de segundos, acalme os ânimos analise a situação: Esse trabalho é na minha área, o atual não; Fica a 30 minutos da casa da minha mãe e 40 minutos da casa do meu pai, o atual no mínimo 3 horas e R$ 40 a mais por viagem; A remuneração é baixa, mas o custo de vida lá é menor; Tem chance de crescer, embora não tenham me prometido nada, a esperança é a ultima que morre; Só tenho 25 anos, e tenho a vida toda pela frente, pelo menos isso é o que sempre ouço como forma de incentivo... como assim, por ser jovem tenho obrigação de passar por perrenges? Ah para...
Enfim, negando aos meus instintos e não argumentando com a força estranha, continuei eu lá.
Tive que preencher uma ficha, com todos os dados que eles já tinham, afinal foi pelo meu currículo que entraram em contato comigo.
Depois uma folha de múltipla escolha onde iriam traçar o meu perfil, bizarro... as opções por linha eram praticamente equivalentes, e eu teria que escolher o que eu me identificava mais, e o que me identificava menos... atestado de ignorância, se sou mais “isso” como posso ser menos uma coisa que também significa “isso”?
Depois uma redação, essa parte foi tranqüila, não fosse pelo detalhe dos míseros 10 minutos para fazer. Ok feito!
Quase finalmente veio a psicóloga conversar com a gente, o meu concorrente estava nervoso desde o “oi” na sala de espera, eu não (ponto pra mim, eu acho), ele errou na múltipla escolha, gaguejava, no final das contas eu tava quase pedindo pra que a vaga fosse dele (acho que era isso que ele tinha em mente, boa tática... instigar a compaixão alheia). Ela veio com mais perguntas, em que você fica pensando no que responder, afinal ela estudou para te analisar, pra me garantir não menti... não muito. Mas acho que não deu pra esconder que eu babo e falo sozinha.
Finalmente a entrevista individual com quem vai ser o chefe, joguei limpo, disse o que sei ou não fazer, ele ficou me relembrando que não moro lá, que o salário é menor do que muita mesada de criança rica, que a função é chata e blá, blá, blá... e no final me perguntou: você quer mesmo a vaga? Foi aí que vesti meu melhor sorriso, como se aquilo fosse tudo que eu sempre quis na vida, disse "claro" e foi a minha vez dos blá, blá, blá.
- Ok, obrigado, na semana que vem entraremos em contato.

Sou a mais nova contratada!

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