Em um de meus, não raros, momentos de olhar perdido ouvi aquela capciosa e nada criativa pegunta: "Pensando na morte da bezerra?".
Que nada, não que não faça isso, mas com tantas outras mortes acontecendo nem sobra mais tempo pra pensar nesta.
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Segunda-feira assisti o desabafo daquele pai, inconformado e com toda razão do mundo, falando sobre o assassinato brutal de seu perigosíssimo filho prestes a completar quatro anos de idade, confundido com bandidos, ocorrido no final de semana no Rio de Janeiro.
Assassinado, um garoto aos quatro anos, que estava na companhia de sua mãe e irmão menor. Assassinado, não por bandidos (não que se sim seria justificável) mas por policiais.
O carro foi metralhado por aqueles que, em teoria, são os responsáveis pela segurança daquele garoto, sua mãe e irmão.
Um domingo, uma mãe voltando pra casa depois de levar seus filhos a uma festinha é confundida com bandidos que estavam em carros com discrição diferente, uma rajada de tiros depois e foi-se embora seu filho, sem tempo de nada, nem de protege-lo e nem dizer adeus. Foi embora com medo.
Os policiais? Vão ficar setenta e duas horas presos administrativamente, contarão sua versão dos fatos de repente passem um pouco mais de tempo em uma cela confortável, criada só para gente de sua corporação, e quando a dor só continuar latente no peito daqueles que conheciam o garoto, sendo esquecida por nós (eu e você – brasileiros de memória curta), eles serão soltos e possivelmente voltarão as ruas pra nos proteger, eu e você – brasileiros de memória curta.
Aos pais, restam os recursos longos sem muita perspectiva de um resultado justo, as lembranças e o belo gesto na doação das córneas. Um consolo, onde se pode pensar que de alguma forma, ele verá novamente o brilho do sol, o mar...
Mas ainda faltará o sorriso, o abraço e sobrará saudade.
E nós... nos esqueceremos, como já fizemos com tantos outros, eu e você – brasileiros de memória curta.
Assassinado, um garoto aos quatro anos, que estava na companhia de sua mãe e irmão menor. Assassinado, não por bandidos (não que se sim seria justificável) mas por policiais.
O carro foi metralhado por aqueles que, em teoria, são os responsáveis pela segurança daquele garoto, sua mãe e irmão.
Um domingo, uma mãe voltando pra casa depois de levar seus filhos a uma festinha é confundida com bandidos que estavam em carros com discrição diferente, uma rajada de tiros depois e foi-se embora seu filho, sem tempo de nada, nem de protege-lo e nem dizer adeus. Foi embora com medo.
Os policiais? Vão ficar setenta e duas horas presos administrativamente, contarão sua versão dos fatos de repente passem um pouco mais de tempo em uma cela confortável, criada só para gente de sua corporação, e quando a dor só continuar latente no peito daqueles que conheciam o garoto, sendo esquecida por nós (eu e você – brasileiros de memória curta), eles serão soltos e possivelmente voltarão as ruas pra nos proteger, eu e você – brasileiros de memória curta.
Aos pais, restam os recursos longos sem muita perspectiva de um resultado justo, as lembranças e o belo gesto na doação das córneas. Um consolo, onde se pode pensar que de alguma forma, ele verá novamente o brilho do sol, o mar...
Mas ainda faltará o sorriso, o abraço e sobrará saudade.
E nós... nos esqueceremos, como já fizemos com tantos outros, eu e você – brasileiros de memória curta.
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